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Dia a dia

Qual a melhor posição para dormir? O que a sua coluna prefere

Você passa cerca de um terço da vida deitado. Vale saber o que essa posição está fazendo com a sua coluna.

Por Rodrigo Pulhez de Paula Pimenta — Quiropraxista, ABQ nº 12384 min de leitura

Quase toda semana alguém pergunta se está dormindo “errado”. A resposta curta: existe uma posição claramente desfavorável, duas boas, e um detalhe que importa mais do que a posição em si.

De lado

É a posição mais confortável para a maioria das pessoas e a que costuma funcionar melhor em quadros lombares. O ponto de atenção é o travesseiro: ele precisa preencher exatamente a distância entre o ombro e a cabeça, mantendo o pescoço alinhado com o resto da coluna. Travesseiro baixo demais joga a cabeça para baixo; alto demais, para cima. As duas coisas mantêm a cervical torcida por horas.

Um travesseiro entre os joelhos reduz a torção da pelve e costuma fazer diferença em quem acorda com a lombar dolorida. Vale também evitar a posição fetal muito fechada, com os joelhos colados ao peito: ela mantém a lombar em flexão máxima a noite inteira.

De costas

É a posição que melhor distribui o peso do corpo. Pede um travesseiro mais baixo — de costas, a distância entre a cabeça e o colchão é bem menor do que de lado. Um travesseiro sob os joelhos reduz a tensão na lombar e ajuda quem sente a região “estirada” ao deitar.

A ressalva é para quem ronca ou tem apneia: dormir de costas costuma piorar os dois quadros. Nesse caso, dormir de lado tende a ser a escolha melhor, mesmo que a coluna preferisse o contrário.

De bruços

É a única que costumamos desaconselhar de forma consistente. Para respirar, você precisa manter a cabeça rotacionada perto do limite para um dos lados durante horas. É uma posição que nenhuma pessoa acordada sustentaria por cinco minutos — e ela é mantida noite após noite, quase sempre para o mesmo lado.

Some a isso o fato de que, sem apoio abdominal, a lombar tende a ficar em extensão acentuada durante toda a noite.

Como escolher o travesseiro

O travesseiro certo depende da posição em que você dorme e da largura dos seus ombros — não existe um modelo universalmente melhor, por mais que a propaganda sugira o contrário.

  • Dorme de lado: precisa de travesseiro mais alto e firme, proporcional à largura do ombro. Ombros largos pedem mais altura.
  • Dorme de costas: travesseiro baixo, apenas o suficiente para preencher a curva do pescoço.
  • Alterna as duas: escolha uma altura intermediária ou um modelo com regiões de alturas diferentes.
  • Teste deitado, não sentado na loja. De pé ou sentado, qualquer travesseiro parece confortável.
  • Troque quando ele não voltar mais ao formato depois de comprimido — em geral entre dois e três anos.

E o colchão?

A ideia de que colchão duro é bom para a coluna é uma das mais persistentes e não se sustenta. O que se busca é apoio, não dureza: o colchão precisa sustentar o peso sem deixar o quadril afundar, e ao mesmo tempo permitir que ombro e quadril acomodem quando você deita de lado. Um colchão excessivamente rígido empurra esses pontos para cima e desalinha a coluna tanto quanto um mole demais.

Um teste simples: deite de lado na sua posição habitual e peça para alguém olhar sua coluna por trás. Ela deve formar uma linha aproximadamente reta. Se o quadril está afundado ou os ombros empinados, o colchão não está sustentando bem.

Antes de trocar o colchão — que é caro — troque o travesseiro e teste por duas semanas. É a variável mais frequente e a mais barata.

O detalhe que importa mais que a posição

É o alinhamento do pescoço, não a posição do corpo. Um bom travesseiro na posição “errada” costuma incomodar menos do que um travesseiro inadequado na posição “certa”. Se você acorda com dor cervical e o travesseiro tem mais de dois ou três anos, comece por aí.

Quando não é a cama

Há um sinal que ajuda a distinguir. Dor que aparece ao acordar e melhora depois de meia hora de movimento costuma ter relação com a posição de dormir. Dor que já existia antes de deitar, que piora ao longo do dia ou que acorda você no meio da noite tende a ter outra origem — e trocar de colchão não vai resolver.

Dor noturna intensa, que não muda com a posição e que interrompe o sono de forma persistente, merece avaliação — é um dos poucos padrões de dor de coluna que pede investigação em vez de ajuste de rotina.